A culpa de ser quem eu sou

Parei para analisar ontem a noite as “atividades” que fiz nesses primeiros oito meses do ano. Percebi que, só em 2015, eu já fiz muita coisa:  já amei (amei também, já desanimei), odiei, tentei, desisti, insisti, fugi, voltei, lembrei, esqueci… Em cada uma delas, um sentimento “imediato que eu tinha” se extinguiu: a culpa. Sempre que tomava determinada ação, ela vinha – e, hoje, já não a vejo mais. Será?

“All the lonely people, where do they all come from?
All the lonely people, where do they all belong?”. Baseado na letra de Eleanor Rigby, do The Beatles. Arte: Gabriel Hislla.

Parando para pensar mais calmamente, percebi que a culpa não tirou férias. Pelo contrário, ela se ampliou, se espalhou, se tornou onipresente quase que em todas as ações, mas se fazendo visível apenas de uma forma: quando eu olhava pra mim mesmo e me analisava.

Esta análise consome. E acaba trazendo o seu pior. Potencializa alguns defeitos, diminui as vitórias e qualidades. E traz um desânimo que, para uma pessoa como eu, é certeiro – tanto que este texto quase não saiu.

“Close my eyes and fall into you”. Baseado na letra de Pink Matter, do Frank Ocean. Arte: Gabriel Hislla.

A culpa traz um vazio, que somos incapazes de prever sua extensão. É como um veneno que vai corroendo e, por mais que tentemos, ele parece já ter definido nosso destino. Parece. Só parece.

Não existe um tutorial para eliminar a culpa, mas existem saídas: você se fazer mais forte que ela.

“I’ve survived, I speak, I breathe. I’m incomplete. I’m alive, hurray”. Baseado na letra de
The Vampyre of Time and Memory, do Queens Of The Stone Age. Arte: Gabriel Hislla.

Ontem mesmo, eu tive que pedir perdão. Não a alguém (também) ou a uma situação ou algo nesse tipo, mas a mim mesmo: por ter sido um babaca por vários meses.

A culpa não é como aquele trabalho da faculdade ou aquele favor que você tá devendo faz tempo. A culpa e o tempo andam juntos. Então, sempre que puder, se livre dela. E seja livre.

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