A necessidade de desejar sentimentos ruins aos outros, pra quê mesmo?

Então…

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Precisa mesmo?

Calma, não venho com papo de positividade ou que você deve passar curtir as pequenas coisas da vida (até porque deixo elas pra quem realmente sabe a importância delas, em que uns desfrutam, outros não). O que quero dizer é que parece que vivemos hoje muito à flor da pele e que vamos explodir a qualquer instante com tamanha aflição que está presa dentro de nós. E isso é preocupante. Sério.

Inevitavelmente, e eventualmente também, vamos nos deparar com situações e situações, boas e ruins. Pois, seja no campo profissional, pessoal ou familiar, alguém já passou por algo que lhe tira dos eixos por alguns instantes, semanas e até o resto da vida. E não, não é fácil lidar com gente que vomita coisas como inveja, ciúme e sentimentos ruins que mais contaminam nossa essência do que mostra o melhor de nós.

Essas pessoas parecem estar perdidas dentro de si e culpam o mundo por frustrações e projeções daquele mundo que elas idealizam e consideram perfeitos naquela bolha pessoal de prazeres momentâneos e autossabotam com a afirmação de que assim as coisas seriam melhores, caso tivessem lhe ouvido ou operado da maneira que idealizaram.

Pessoas assim, tendem a dar ataques e, constantemente, fazem de tudo para chamar atenção para querer provar que estão certas. E, na boa, é complicado conviver com gente assim, ou não?

Com isso, vamos alimentando, inconscientemente, alguns desses respingos de energia negativa que somos submetidos. Dúvidas e questionamentos fazem-se presentes ofuscando aquela essência simples que podemos resolver os problemas partindo para as soluções, ao invés de martelar o problema. O que é bem mais interessante.

Ok, mas o que isso tem a ver com a necessidade de guardar sentimento ruins?

Desde que passei frequentar um encontro semanal intitulado “Quinta Feliz” com um grupo de praticantes do Budismo de Nitiren Daishonin, passei encarar as coisas de maneira mais sensata e sem muitos vislumbramentos. Lá funciona da seguinte forma: toda quinta nós nos encontramos para realizar nossas práticas e debater sobre um tema em específico para que assim possamos ter mais consciência do nosso papel no mundo. E o tema desta semana foi sobre resiliência.

Quando iniciamos nossa conversa sobre como ser resiliente, nos questionamos acerca do que é ser resiliente, como agir e como tratar o mar de coisas que exemplifiquei no parágrafos anteriores. E, imediatamente, percebemos que não é fácil e é um desafio encarar isso nas pessoas e, principalmente, em si.

Além disso, percebemos que negativar a si é tão danoso quando negativar os outros. Pois a vida é formada por uma linha tênue de tomadas de decisões e as consequências delas na nossa vida. É perceber que tudo está conectado.

Somos seres que facilmente nos apequenamos e raramente olhamos para vida como um projeto em eternar construção, quase nunca nos colocamos e temos peito aberto para poder desfrutar das coisas e experiências que vivenciamos. Já se perguntou se você é dono do seu jardim (leia-se vida)? Está cuidando dele? Está plantando coisas genuínas e significantes?

Não é vir com papo motivador, longe disso, é apenas perceber que não existe essa necessidade (meio sem lógica, talvez) de desejar sentimentos ruins aos outros e a nós. Pra quê mesmo?

Ao invés de encarar os sentimentos ruins como vilões do caos interior da vida e os bons como heróis, que tal encarar como a face de uma mesma coisa? Pois tanto os sentimentos bons quantos os ruins tem a singela função de lapidar nós mesmos constantemente pela busca da nossa melhor versão. E uma vez pleno isso na nossa consciência, é simples de ser vivido e incrível de ser degustado.

PS¹: POR FAVOR, não encare esse texto como uma viagem ou ideias soltas que seriam absurdas no nosso cotidiano.

PS²: Não, não acho que se apenas cultivássemos sentimentos bons, o mundo seria um lugar melhor e poderíamos assim desfrutar de uma comunidade hippie global.

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