Aprende a ouvir, m****!!!

Sabe aquelas frases que ouvimos desde criança? Tenho certeza que muitas delas ecoam na cabeça de vocês. Desde um “eu te avisei” da mãe ao “você devia ter prestado atenção” do pai, passando por tantos outros exemplos. Agora, pare, pense e reflita sobre todos esses bordões que lhe acompanharam na sua infância e pergunte a si mesmo: o que eu de fato aprendi com eles? Eu, sinceramente, comecei a questionar a eficiência dessas frases há alguns anos. Não pelas suas ineficácias. Muito pelo contrário. Mas, sim, pela minha insistência em ir no caminho oposto.

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Eis o ponto de partida dessa reflexão: eu falo muito. Sim, muito. Sou muito prolixo [às vezes] quase sempre. Falo bastante o suficiente para interromper um diálogo, pronunciamento ou comentário de qualquer outra pessoa por puro impulso de ansiedade. Eu percebo? Quase sempre, não. Mas quem convive comigo, não só percebe, como até tenta me alertar quantos aos riscos do que posso criar a partir dessa atitude.

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A frase acima não vem por acaso. Ela foi uma forma necessária e recorrente de me chamar a atenção sobre este defeito nos últimos dias. Colocá-la como título deste post, também, não foi aleatório: durante a minha vida, já ouvi essa frase várias vezes.

A pressa é algo complicado de lidar, não é mesmo? Ansiedade, preocupação,e por aí vai. É até chato discorrer sobre isso – haja vista um desentendimento universal sobre o caso -, mas apenas amigos mais próximos acabam tendo a sensibilidade de entender que “um ser ansioso” já não domina algumas ações que, ao restante do universo, parece simples e fácil de lidar.

“A ansiedade interfere na percepção que a pessoa tem das mudanças no funcionamento do próprio corpo. Elas passam a ser muito valorizadas” – Barros Neto.

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Em entrevista à Revista IstoÉ, o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínica de São Paulo, comentou o assunto, a partir de um levantamento – feito pela Associação Americana de Desordens Ansiosas – que concluiu que 87% dos voluntários estudados revelaram que a ansiedade prejudica as relações pessoais.

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As relações pessoais vão desde atos e gestos de confiança à um simples diálogo em praça pública ou uma tarefa durante o expediente. Além desta revelação, o levantamento apontou, ainda, que 75% dos entrevistados informaram que a ansiedade interfere na habilidade de cumprir as atividades do cotidiano.

Vivendo há tempos neste corpo ansioso, a luz no fim do túnel é a sensibilidade de quem convive comigo e consegue perceber a dificuldade que é carregar este pequeno demônio. Entre tratamentos e métodos para buscar a calma, associo-me a músicas, textos e, portanto, amigos, para expulsar esta ânsia, que parece não ter fim.

Não temam a “merda” do título: ela é infinitamente menos letal do que qualquer ansiedade. Muito pelo contrário: foi por ter ouvido esta “merda” que consegui escrever este texto.

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  • Chega a ser engraçado ver este título neste momento, porque até a pouco tempo eu havia comentado que eu reconheço dois tipos de pessoas impulsivas:

    1° -> Aquela que deseja algo e mentalmente idealiza meios de chegar lá. Mesmo que a qualquer custo.

    2 ° -> Aquela que, antes mesmo de gerar um plano de ação, já se pega fazendo algo, ainda que nem se dê conta do quão arriscado isso pode se tornar.

    Eu confesso que sempre fui ansioso. Mas, de acordo com os tipos que conheço, sempre fiz a linha do primeiro tipo. Sempre fui de pensar mil e duas vezes. Talvez isso tenha me atrapalhado mais do que a própria ansiedade. Mas hoje entendo que eu, de alguma forma, estava respeitando meu tempo.

    É estranho dizer isso mas eu acredito que no fundo já sentia quando era pra seguir e, quando, por outro lado, era pra me policiar por um pouco mais de tempo afim de perceber que não era o meu caminho.

    Hoje eu sou “de boa”. Antes de decidir se é isso mesmo que eu quero, analiso. Respiro. Sinto o que aquilo me transmite. E se for algo digno de encher os pulmões… 🙂 /