Escolha uma vida em que sinta coisas que nunca sentiu antes

O que é a vida se não um projeto em eterna construção, com reiteradas lições e aprendizados da linha tênue de sentimentos e emoções inconstantes que ela nos presenteia para desbravarmos a fim de lapidar a nossa melhor versão? Já dizia Chaplin: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. Que tal uma boa dose de responsabilidade sobre a vida que nos propomos sem muito drama? Puxe a cadeira e um café para conversarmos sobre isso.

Nossa vida é claramente dividida em fases, em que alguns de nós pulamos algumas etapas, regredimos em outras e, inevitavelmente, não somos os mesmos desde o primeiro choro quando chegamos a este plano. Quando crianças, somos movidos pela curiosidade, inocência e maestria das simples coisas da vida. Na adolescência, nos julgamos seres vividos e queremos o mundo ao nosso bel-prazer. E quando, enfim, chegamos à vida adulta, paradoxalmente, o que mais sentimos é a saudade da velha infância regada a momentos genuínos e nostálgicos. A saudade é a certeza de que aquilo foi bom e acabou.

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Eu espero que você viva uma vida a qual se orgulhe. Se você achar que não, eu espero que você tenha forças para começar tudo de novo. (Filme: O Curioso Caso de Benjamin Button)

Eventualmente, ao longo dos anos, carregamos conosco algumas “marcas de guerras” e cicatrizes de batalhas na busca por essa experiência de vida cheia de altos e baixos, mas fundamentais para cada camada do nosso ser.

Fases e decisões difíceis fizeram-se presentes, em que no primeiro momento não entendemos, mas lá na frente fez total sentido para aquilo que passávamos. E o que resta são as histórias e legados bons (e outros não tão bons) daquele nosso “eu” do ontem.

Por falar no “eu”, é importante vez ou outra conversar com o seu eu do passado e, também, refletir o que seu eu de 15 anos mais velho falaria para você. Não como um exercício de auto piedade, mas de autoconhecimento, compaixão e sensatez das incompletudes que compõem nosso ser.

Em meio a isso tudo, quase sempre vem uma pergunta a nossa mente: escolhi a vida que queria? Antes de mergulhar nessa pergunta, que trará uma resposta complemente individual para cada um de nós, pense no balanço da cadeia de eventos que se sucederam e experiências que você se dispôs. Porque boas ou ruins, elas foram responsáveis por essa sua versão de hoje. Pois não há nada de errado em não ter agora a resposta para a pergunta que iniciou este parágrafo, mas sim uma pequena faísca na sua mente sobre o que você vem levando e vivencia.

Lembre-se: busque sim referências genuínas, singelas e gratificantes de cada coisa que circunda você com a mente sã de que cada uma dessas coisas são reflexos seus – e encará-los é parte do processo, não o todo.

Saboreie essa sensação e opte por escolher uma vida em que você sinta coisas que nunca sentiu antes – e não, não tenha medo de recomeçar de novo.

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