Nem só de músicas tristes vive o meu coração

Nos últimos dias, eu postei no Facebook a canção Meu Mundo Caiu, clássico dos anos 1950 de Maysa – confesso que redescobri a canção ouvindo o disco Rainha dos Raios, lançado no ano passado e que traz várias regravações bem interessantes, como esta. Minutos e horas depois a postagem – que vinha acompanhada da frase “(…)  eu que aprenda a levantar” -, eu recebi duas mensagens e uma ligação: em todos os casos, amigos perguntando o que havia acontecido, que estavam ali para me ouvir e fariam de tudo para me apoiar. O riso foi indisfarçável, mas a minha preocupação sobre as “canções tristes” não. De fato, elas só trazem tristeza para vocês?

Me recuso a pensar que “estas tais” canções tristes existem para te deixar ainda pior. Ok, posso estar sendo egoísta, mas não é a forma como elas se aplicam na minha vida. Pelo contrário: não existe deleito maior do que ouvir uma música triste. E por um essencial (e não único) motivo: elas me deixam feliz.

Parece controverso, né? E talvez seja, e até deva ser. Mas as canções tristes, mais do que as alegres – que mostram-se de uma felicidade efêmera -, trazem consigo sentimentos que, se seguirmos na “ordem natural das coisas”, também seriam carregadas de tristeza. Ao menos comigo, vou na contramão.

Quando me pego ouvindo Maybe Tomorrow, do Stereophonics, por exemplo, me pego lembrando daquelas vezes na vida em que, ao invés de entregar o meu futuro ao tempo, decidi a minha vida com atitudes – agindo no agora, e não no amanhã. Em Nothing In My Way, do Keane, por exemplo, eu fui condicionado, por anos e anos, que a música se tratava sobre fracassos e desilusões. Talvez fale, possivelmente. Hoje, encaro-a por outro ângulo: entendi que, em muitos momentos, é melhor que nada seja dito; em outros, que a paciência seja a regra; e que nem todos os dias precisam ser movimentados – o silêncio, as vezes, é uma grande conquista.

E assim seguem inúmeros e diversos exemplos. A tristeza, ao classificarmos uma música, acaba sendo uma visão superficial da mesma – o que em nada acrescenta, e resume, de forma equivocada, belíssimos versos como de Michael Stipe e Jeff Buckley, por exemplos, a gracejos sentimentais.

E para vocês, caros leitores, quais são as “músicas tristes” que animam o dia e renovam os pensamentos de vocês? Fiquem a vontade para comentar. 😉

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  • Na verdade, existe um estudo (supostamente, li em sites de curiosidades) que diz que ouvir músicas tristes melhora o astral. Eu, sempre que penso em música triste, lembro de All By Myself, da Celine.