“O amor, assim como a arte, deve sempre ser livre…”

A busca do equilíbrio, seja ele profissional, pessoal, sexual, afetivo, espiritual ou familiar, é considerado por vezes sagrado, mas para alcançá-lo precisamos ter um conhecimento profundo de quem somos e compreender a verdadeira realidade das nossas emoções, ações e situações, dos nossos sentimentos e relacionamentos. Ao passo que a falta de compreensão, e por vezes a não aceitação, nos faz agir de forma inconsciente nos extremos na vida, nos levando a acreditar que estamos apenas seguindo o que dizemos ser o “verdadeiro eu”.

Assumir a própria sexualidade, ao contrário do que muitos pensam, não é um processo fácil. Você nunca para e analisa sua realidade, caso ela não seja confrontada e o faça refletir. Mas a verdade é que todos os dias somos levados a nos definir, a escolher um lado, receber uma tag que nos identifique. E ninguém sabe o quanto tudo isso torna cada vez mais difícil que consigamos conversar sobre quem somos, a entender e respeitar os nossos próprios sentimentos.

cuidadpE que fique claro que, até aqui, não estou falando de homossexualidade, falo exatamente de como qualquer ser humano sofre uma enxurrada de questionamentos e pressões para sermos e sentirmos o que acham mais adequado para o nosso convívio social.

“É apenas uma fase, vai passar”, “E os namoradinhos, minha filha?”, “Como você sabe que não gosta, se nunca provou?”, “E aí, já pegou quantas?”, “Você é bi? Ah, uma hora você vai se encontrar”, “Meu filho vai ser macho”. Independente de idade, sexo, identidade de gênero ou orientação sexual, tudo isso me faz pensar em todas as opiniões atrapalhadas que já nos levaram a agir de forma completamente distinta ao que sentíamos, em saber que muitas pessoas já se sentiram obrigadas a expor seus desejos de forma completamente forçada e por vezes abusiva.

Mas mesmo diante de todos esses questionamentos e pressões, talvez a dor que mais fere é a de quando você percebe que a única pessoa que não aceita, a única pessoa que se culpa, é você. E não estou diminuindo todos os preconceitos sofridos, mas quando você descobre que o maior causador do seu sofrimento é você mesmo, as palavras fogem, as ações se atrapalham, os pensamentos voam e se atracam como um tiroteio sem fim.


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O diálogo acima acontece entre um gay e uma transexual, mas todo o contexto pode ser
encaixado na vida de qualquer pessoa.

Dói, ainda mais, saber que tudo o que você fez foi por amor às pessoas mais importantes na sua na vida, ou para dar satisfação ao mundo, mesmo que tudo tenha sido feito de forma inconsciente. Tudo o que você fez foi tentando não se afastar das pessoas que são a tua base, mas o sofrimento que toda essa postura de mascarar quem você realmente é. Ah, esse sofrimento não é deles, é seu, e por ser seu, você faz dele o que você bem entender, inclusive causar sofrimento a outras pessoas, mesmo sem intenção, mesmo sem enxergar a dor que pode causar.

Rezo pelo dia em que não teremos mais a necessidade de definir nossa sexualidade, rezo pelo dia em que não precisaremos ter aquel@ namoradinh@ de mentira para fingir ser alguém que não somos, rezo pelo dia em que não precisemos mais reservar um dia para nos assumirmos com medo de rejeição, rezo pelo dia em que não precisaremos experimentar o outro sexo para sabermos ou darmos a certeza do que desejamos, rezo pelo dia em não seja mais necessário descobrir quem somos, apenas por querer viver quem realmente somos.

“O amor, assim como a arte, deve sempre ser livre…”

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