O som que rola agora no Fusca 86 #4: Maglore, uma banda que você tem que ouvir

“Pode vir. Vem. Um pouco mais para esquerda. Gira. Gira o volante.
Isso! Agora vem.”

Enfim o Fusca saiu da garagem.
Enfim o Fusca saiu da garagem.

A viagem é longa, apertem os cintos, vamos pegar uma fenda do tempo e dar um pulo em Salvador (menos Joceline, que passou o mês de janeiro inteiro por lá e contou pra gente nesse post!). Já explico o porquê.

Tive uma semana corrida e proporcionalmente gratificante, já não sobra espaço no caderno nem nas entrelinhas para tanta lembrança. Resolvi escrever um projeto antigo para o Encontro Regional de Design e ele foi aprovado! Claro, eu fui correndo avisar aos amigos, paguei a inscrição e é chegada a hora da apresentação. Pensei em pegar um busão para economizar a grana suada da semana, mas sem Fusca a estrada fica cinza e o caminho longo demais.

Vai ser a primeira vez que Amanda assiste uma apresentação minha, escolheu o melhor vestido e parece empolgada (Para quem ainda não a conhece, volte uma casa nesse link). Tanta trilha no pen drive, tantos dias sem dormir, resolvi dar um pulo em Salvador. Dei o play. O nome do Álbum III: o terceiro disco de um Power Trio, não poderia soar melhor. Som alegre, dançante em algumas faixas, e marcante em outras. Mantra é a minha preferida – Indicada ao Prêmio Multishow na categoria “nova canção” – traz uma daquelas frases que poderiam ser a primeira ou a próxima tatuagem: “só sei ser inteiro, não sei ser pela metade”.

Eu gosto tanto do embalo e da sensação que as músicas do Maglore trazem que me peguei duas vezes mexendo o ombro e fazendo o volante de “air drum” entre os sinais. O som do motor vai fazendo uma segunda bateria acelerada em loop. De vez em quando, olho pro lado, Amanda também, fico pensando que a gente poderia ser um desses casais do horário nobre com canção exclusiva – tipo fazer três gols na rodada e pedir música no Fantástico. Mas o amor não tem regras, só infinitos trilhos que levam a finitos bares no fim de cada história. E como somos só um casal sem hora para se ver, continuamos bem como estamos.

Quando chegamos ao pôr-do-sol da Praia Grande, pensei alto: “Todo mundo deveria conhecer São Luís nessa perspectiva, junto de um amor e o background do sal, sol e suor, embalados num som desses”. Quase me esqueci do Fusca.

E um Fusca. Pronto!

Continuamos no mesmo disco e notei uma coisa: a linha de baixo é tão boa que se você calasse os outros instrumentos a transa continuaria no mesmo ritmo, no mesmo compasso. Mesmo para quem prefere um ritmo mais desacelerado. A guitarra e a bateria poderiam tocar um final de semana inteiro sem te fazer enjoar. Por fim, você perceberia a voz até se o vocalista tivesse bêbado num desses karaokês da cidade no meio da semana.

A primeira vez que escutei já não recordo se foi na Musicoteca ou em outro desses sites que carregam consigo uma mina de ouro de bandas incríveis: algumas que nasceram há pouco tempo, outras que já aprenderam a andar sozinhas e com identidade própria. O primeiro disco que ouvi foi o “Vamos pra rua”. Amor à primeira vista, a minha primeira vez e eu nem tinha do que reclamar.

De Salvador para São Luís, estamos chegando na porta da UFMA. O evento já começou, e como sempre, estou atrasado. Pequenos momentos da vida, eternizando tudo que está em volta. O kit do encontrista tem um copo, uma camisa da hora, lubrificante e três camisinhas. Ainda tem gente que pergunta por que a noite é tão quente aqui. Deixa eu subir para procurar as salas, vou ter que desligar o som e me desligar daqui.

Hoje o sinal parece estável, parece até mentira.
Então, luz para vocês.

Câmbio, desligo.

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