Veja você: um filho da puta na linha tênue entre ser um anjo ou um demônio

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Ás vezes, a gente só quer respirar.
Veja você. Acorda, olha pro relógio, são 05h10 da manhã. Coça os olhos, olha pro teto e se pergunta quem é mais filha da puta: o colega de profissão que não perde uma chance de ridicularizá-lo ou o motorista do ônibus que sorri quando passa direto nos pontos de ônibus lotados com o jovem procurando um esperança de futuro com o estudo e aguenta as piadas dos amigos que matam aula, com a mãe grávida esperando há um mês o exame ou o homem que enfim conseguiu aquela tão sonhada entrevista de emprego. Como você não conhece esses três personagens e o ódio mais íntimo que alimenta é o do colega de trabalho, rapidamente pensa: nem todas as meditações e exercícios ajudam sanar a vontade de meter um soco naqueles que não respeitam o sonho alheio.

Seu café da manhã é pão com manteiga na chapa com Nescau. A armadura é a camisa amassada e os fones surrados do treino de capoeira da noite anterior. Na mochila, a vontade de abraçar o mundo e sussurrar nele o quão belo e misterioso é aventurar sobre picos de montanhas da natureza encantadora e os arranha-céus das selvas de pedras.

O trabalho chega. As metas deverão ser cumpridas e dia após dia é chegada as férias merecidas. Mas a vida real lhe chama: Cadê o relatório? Cadê aquela nota? Por que o atraso? Pra que a camiseta do Led? Quantos anos tu tem?

O mundo é cruel, pesado e algumas pessoas tão pouco se fodendo se tu guarda contigo a vontade de mudá-lo pra melhor, mas no mais íntimo ainda nutre a sensatez que uns baques aqui e ali são necessários pra exorcizar os demônios que passeiam no âmago da nossa natureza humana.

Dá a hora de partir. Ponto registrado, você calado e lá vem ele, o filho da puta desgraçado com o apelido tirado de bala de mascar, mas mal ele sabe que isso surgiu de uma situação que ele amaria odiar. Dizem que existe uma linha tênue entre amar e odiar. Então ele passa, pisca e escapa e você mentalmente: ‘Como ele se aguenta viver nessa carcaça?’

No caminho de volta pra casa, você questiona e reflete sobre seu drama. Já na cama, tange suas vontades, o malabarismo da vontade e o silêncio que traz a grandeza de sua particularidade.

Veja você. Sendo anjo e demônio em constante briga interna, almejando sonhos infinitos e vivências escondidas. Você não percebe, mas é apenas mais um protagonista no palco da vida fazendo um teste.

Teste do equilíbrio em ser sagaz ou nas linhas na inocência. Acorda, é você em cena.

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