Me olha nos olhos, caramba

É engraçado como às vezes a alma pede por um pouco de equilíbrio. Não sei realmente como isso acontece, e nem como explicar, mas eu não consigo colocar em palavras toda essa necessidade que eu tô sentindo.

Mas chega um momento em que você tá tão cheio de energia, tão elétrico, fica mexendo a perna, começam os tics nervosos, o corpo todo começa a tremer e você não sabe como agir, pensar e nem sentir. Vira um mundo de trapalhadas, uma confusão de ideias cruzadas e sem sentido.

E depois de muitas burradas feitas, muito tempo gasto, anos de bloqueio com o mundo, você se pega conversando com alguém que destrava tudo isso. Pessoas, sempre elas.

E então você fala tudo o que sempre teve medo de falar, pois achava que alguém iria tirar onda com a tua cara. Dançando do nada e cantando sem música de fundo. Sem cobrança do que você gosta de comer, das músicas que gosta de ouvir, da religião que você quer seguir, do que você precisa sentir, dos amigos com quem você quer sair, da camisa surrada ou cabelo bagunçado.

É completamente perturbador quando meu corpo começa a tremer de tanto prazer contido, um prazer tão verdadeiro, ofegante, enlouquecedor.

Mas é incrível como eu consigo ser eu mesma, olhar nos olhos e falar o que eu penso, o que eu quero. Passar meus desejos, meus medos e não me sentir culpada. É incrível como eu consigo olhar nos olhos e passar as minhas verdades, minha proteção. Sem cobrar, nem sufocar. É bom deixar ser, aprender e ensinar, se conhecer.

Então, por favor, me pega no colo, segura meu rosto e não sai de perto. Me olha nos olhos e equilibra minha alma.