O som que rola agora no Fusca 86 #2

Brum, Brum, dé, dé, dé, dé (Sonoplastia: Fusca chegando)
fuscacapa2

Como andam as coisas por aqui?
Nem sei qual a desculpa que dou pela demora de um novo texto. Não sei se é mais convincente falar do pneu que furou, ou do som que queimou com a última chuva (Chuva, Pedro?! Em São Luís?). É, acho que essa não cola.

Mas claro que vai rolar um imenso agradecimento por todos que dedicaram seu precioso tempo para ler o último texto. Que, inclusive, foi um dos melhores presentes de aniversário. Obrigado, mãe, pai e todos vocês que fazem parte dessa jornada. Agora, que já estou mais atrasado que o normal, preciso correr para contar tanta novidade que a vida desenrolou nesse tempo que eu andei escondido.

Bora dar outra volta?!
Apertem os cintos.

Todas as vezes que chego na rua de Amanda para buscá-la para algum rolê, as cadelas dela acusam minha presença a 200m de distância (nem os animais resistem ao charme do Fusca). É meio que um golpe baixo. Toca a sirene, ela se veste de felicidade, abre um sorriso e me espera na porta. Se um dia o Fusca aparecer com o pára-choque amassado, não vou precisar reescrever linhas e linhas para dizer o quanto me amarro naquelas bochechas esticadas de felicidade – Alguém lembra que eu falei que bochechas cheias são um charme? Amanda nem precisa fazer esforço, é só sorrir.

Dessa vez a gente vai à praia, treinar Slack, rever os amigos. Não tem experiência melhor. Parece que o Fusca foi feito para essa condição: domingo à tarde na praia.
A sensação de entrar em uma máquina do tempo, dessas que a gente vê na televisão na sessão da tarde, só que com um pouco mais de emoção do que de costume. Não que ficar a tarde vendo TV seja tão ruim assim. Na era do Iphone, das setlists de música prontas vendidas num self-service digital, a gente tenta resistir. Procuro o botão surrado do rádio que dá play nas músicas do pen drive, mas nem assim a gente se vê numa outra freqüência.

Quando o som começou, eu até pensei em pegar uma carona na onda do Gregório e quase soltei um: “Desculpe o transtorno, mas precisamos falar de Sfânio. Nos conhecemos no CEFET-MA, quando ele tocava nos intervalos do almoço…” Mas soa tão chato que me fez perder dois pontos de audiência e um bocado de atenção. Um das coisas que mais me dá orgulho de ser dessa terra é ver gente tão talentosa e simples como Sfânio. Se a vida fosse um jogo de futebol, ele seria aquele cara que todo mundo sempre queria que estivesse no mesmo time. Nem sei se ele sabe jogar futebol, nunca vi. Chega de analogias ruins.

Conheci o trabalho dele no Sarau da escola cantando músicas do Nando Reis, sei que vocês estão acostumados a vê-lo por aí cantarolando Chet Faker ou Ibeyi. Link:

Voz suave, nem precisava bater na porta para poder entrar, o ouvido se desmanchava na sensação de paz… E pá! Tarde demais, já conquistava metade da atenção dentre as pessoas que transitavam e outras que ainda almoçavam. Outra coisa engraçada é que ele nunca me pareceu um daqueles guris motivados por duas notas no violão tentando melhorar a auto-estima. Violão e Sfânio eram tão naturais que nem parecia estratégia para enganar as meninas perdidas no pátio. Chegava a ser engraçado. Mas o som que rola agora num Fusca 86 quase não tem a ver com essa nossa fase.  Na verdade é uma projeção bem sucedida do que já estava por vir, a gente cresceu, o tempo passou e cá estamos falando em outro tom e dançando em outro ritmo.

Gravitacional = “Grave opcional. Ora grave, ora agudo. Isso quase não interfere nos meios ou extremos. Simplesmente atinge certa tensão no começo. Um som clássico de violoncelo que parte o ouvinte no meio.” Essa seria a definição do Aurélio para música que a gente escutava no meio do trânsito.

Amanda, como sempre, curiosa perguntando:

– Quem é esse?

E eu perdido na atmosfera da música quase me fiz a mesma pergunta.

– Ãn?! Ah, esse é o Sfânio, acho que já te mostrei ele em algum lugar, num desses palcos da vida.

Outra coisa que deixei passar, quando puderem deem o play, prestem atenção aos músicos dele, praticamente, falam a mesma linguagem. A ambientação da música é simplesmente perfeita: as guitarras, o violoncelo, e a percussão (embalada por Tainan, outro grande amigo).

Descobri que essa música que a gente ouvia foi gravada em casa. Outro aspecto da ilha magnética: pessoas talentosas fazem coisas incríveis de seus quintais. Quando falo isso não quero soar exagerado, é só assistir a esse vídeo que você vai saber do que estou falando:

Gravitacional – Gravada do quintal de pessoas surreais – Produção: Tainan Lopes.

Poderia passar horas falando só de gravitacional, mas lembrei que outro dia andei fuçando o YouTube e vi algum cover da música do Tiago Máci. Adivinhem quem tava com o violão na mão? Vocês têm noção do que tem se tornado o nosso cenário? Tiago, Sfanio, Paulão, Vinil do Avesso, Lamy e outras vozes têm tomado a forma mais que merecida. Isso é São Luís. Maranhão. Planeta Terra. E agora que a gente está na segunda viagem de Fusca.

Preciso ir, o sol está no seu ponto mais equilibrado, as fitas amarradas na praia trazem um colorido tão bonito que não cabe em fotografia, foge da regra dos terços.

Amanda correu para areia dizendo que hoje tira manobra nova e eu não quero perder isso por nada – pessoas que fazem Slack ficam mais atraentes ainda. É sério.

Dessa vez acho que a ligação não vai cair.
Vou poder me despe… shhhhh

Droga!

Câmbio, desligo.

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  • LPOliveiraNeto

    Massa Pedro, estava sentido a falta de ouvir música do cenário local.
    Conhecia o som de Sfânio do IFMA, assim quando entrei no curso e é uma voz muito boa de se ouvir. Uma boa surpresa foi o álbum do Paulão, no texto anterior, está muito bom mesmo.

    Não sei se tu conhece, mas quando tiver no fusca com Amanda pelas curvas da ilha, da uma curtida no som do Ari Sousa. segue abaixo alguns links do som dele.

    Youtube:

    SoundCloud:

    https://soundcloud.com/arist-teles-sousa

    • Pedro Henrique

      Fala LPOliveitaNeto, tudo tranquilo, cara?! Então, eu tenho um blog chamado O Instante Perdido, Ari já ganhou uma promoção lá. Na época que eu tinha feito algumas canções, lembro de ter falado com ele para ele gravar algo meu. Infelizmente não rolou. Eu conhecia algumas poucas músicas do trabalho dele, mas com a tua dica, vou dar uma sacada bem mais afundo.

      Te agradeço pela indicação. E te convido para dar outras voltas no fusca!

      Grande abraço, cara.